Thesis and Dissertations

Dissertação de Mestrado Acadêmico

Dissertação de Mestrado Acadêmico

Este trabalho busca gerar reflexões sobre a valorização do espaço a partir da produção habitacional imobiliária nas cidades brasileiras, destacando a importância da retomada de um debate aprofundado sobre a reocupação do patrimônio preexistente nos centros históricos. A difusão da casa própria, isolada da área central, unifamiliar e padronizada, os baixos investimentos em infraestrutura e as segregações residenciais constituem a história da habitação popular brasileira. Proponho, portanto, um ensaio sobre as políticas habitacionais e de preservação do patrimônio histórico brasileiro, as dificuldades enfrentadas nos projetos de reutilização de preexistências no País e os problemas relacionados ao mercado imobiliário no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. Além disso, apresento estudo de caso de restauração de seis casarões no Centro. Fundamento as reflexões com base em diferentes pensamentos, especialmente os primeiros conceitos de preexistências ambientais de Ernerto N. Rogers, os de Zaida Muxí e Josep Maria Montaner sobre habitação, os ideais de sociedade e ética dos arquitetos, geógrafos e filósofos contemporâneos e os conceitos de intervenção de Cesare Brandi, Aldo Rossi, Ignasi de Solà-Morales, Salvador Muñoz Viñas, entre outros. Após o Modernismo, tão presente na arquitetura brasileira, o mundo traz seus olhares de volta ao antigo, à cidade tradicional, especialmente após o movimento transgressivo dos italianos, tendo como recorte temporal o cenário europeu de 1945. A partir do decênio de 1990, quando o Brasil se insere no processo de globalização da economia, os centros históricos das suas cidades passam a assistir à volta dos investimentos em atividades dos setores de comércio e serviços abandonados há duas décadas. No entanto, hoje, as leis e as normas aplicadas na recuperação de espaços históricos, não consideram a excepcionalidade das características identitárias das construções antigas. Os processos utilizados para a aprovação de projetos em patrimônio preservado ignoram a excepcionalidade e a identidade da obra. Essa perda do marco de referência interpretativo acaba refletindo nas decisões projetuais, na medida em que desconsidera cada edifício como único. Consequentemente, a busca por projetos em que a padronização é possível acaba sendo privilegiada, tanto por quem projeta, como por quem aprova. Apesar das (poucas) tentativas de reversão dos processos de degradação e de perda de população residente no centro histórico do Rio de Janeiro, houve uma sucessão de fracassos. A evidente dependência das políticas públicas, tem levado o mercado imobiliário a (re)produzir a periferização. A cidade deve ser entendida como construção viva, em constante modificação, revelando a sua identidade a partir da manutenção e do respeito por cada camada histórica. O número de espaços de valor patrimonial, vazio e degradado, e as enormes mudanças nos tecidos históricos brasileiros dificultam a interpretação de diversas obras por arquitetos e historiadores. Percebe-se, portanto, a grande dificuldade em desenvolver moradias que atendam à diversidade das novas formas de coabitar contemporâneas, respeitando a identidade do edifício. Por meio de soluções concretas, proponho um projeto de moradia, adequando-o à realidade social da área, visando “reavivar” o Centro da cidade do Rio de Janeiro a partir da habitação e da reutilização do patrimônio histórico.

Palavras-Chave:1.Habitação 2.Reutilização 3.Patrimônio Histórico 4.Centralidades Urbanas

https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9085938

Data de defesa: 20/08/2019

Person

  • Andréa de Lacerda Pessôa Borde
  • Ceça Guimaraens [contributor]
  • Julia Abreu da Costa Pereira [author]
  • Leopoldo Eurico Gonçalves Bastos
  • Maria Júlia de Oliveira Santos
  • NORMA LACERDA GONCALVES

Course

  • Master of Architecture PROARQ

ResearchLine

  • Restoration and Heritage Management